Arquivo da categoria: Reflexões

Angústia

Bem vindo ao lugar
Onde o tempo não passa.
Quanto mais a chuva cai,
Mais a mente se embaça.
Sozinho
Você não pode gritar.
É, eu sei,
É complicado lidar.
Aqui não existem sorrisos ou
lágrimas.
Pesadelos
Estão vivos.
Tomam forma
Como um boneco de barro
Fujo
Travo
Corro
Me amarro?
O ápice da angústia tomando forma Numa madrugada chuvosa.

                                                 ~ E.Q.

Televisores e cadernos

Rabisco versos em um caderno rasurado. O silêncio da madrugada me fascina. Nenhum cão, nenhum maldito grilo, ousa romper o absoluto barulho do nada.
É como o botão “mudo” da TV. É a hora em que eu me sinto no controle do mundo. Onde posso calar cada imbecil, com suas palavras inconsequentes.
As pessoas falam demais. Talvez no intuito de que em algum momento, tamanha exacerbada quantidade de frases, se torne algo de algum valor notório. Querem a notoriedade de qualquer modo. Empurrando suas inutilidades goela abaixo. Como um comprimido amargo, que você engole à base de água morna da torneira, num copo de requeijão.
Ainda contemplo o silêncio, e as rasuras de meu caderno bege.

Eternidade

Choro pelos que são imortais. Os que vagueiam pelo mundo, em busca de um algoz capaz de por fim ao seu sofrimento. Pelos que viram partir todos os seus amores, suas crenças, e seu tempo.
Choro, não por seu corpo, imaculado e resistente contra o tempo. Mas pela sanidade de tua mente; tamanho o peso que carrega. Condenados à vagar. Sem vida, sem alma, para todo o sempre.
Choro, pelos que carregam em si, a maldição da vida eterna.

Nostalgia
texto-nostalgia-infancia

Sinto falta dos bons tempos, das boas pessoas.
Sinto falta da verdade, sem vaidade, de toda inocência.
Quando o mundo todo era perfeito, de total imperfeição.
O quanto não era quantificado, ou não tinha quantidade.
Sinto a falta de ser normal, sem se importar em ser igual.
Sinto falta dos bons tempos.
Tempos recentes, que a falta faz parecer distante.
Tempos, que jamais retornarão.

—Eduardo Quintanilha

Sobre se Apaixonar

Casal-Paixão

Começa de leve, quase sem querer. Não quer se abrir, tens medo de novamente se ferir.
Tudo parece lindo, realmente é para você. Está cego e surdo, todos estão errados.
Sua consciência grita em protesto ao que seu coração insiste em dizer. Ela então perde a voz.

Cada momento é como uma poesia, que não se transforma em palavras.
Tudo parece estar dando certo agora. E deveria.

A consciência retoma sua voz e te impõe que repense. Ela tem razão, mas o coração já não está bem.
Estúpido em acreditar e se deixar levar mais uma vez.
Nada mais pode ser feito, que então sirva de aprendizado.

~Eduardo Quintanilha

Escolhas

Escolhas

 

Vez ou outra me vêm à cabeça a ideia do quão vasto é o mundo em que vivemos. A ideia do que uma simples escolha poderia causar, ou deixaria. Já notaram isso?
Quantas vezes me peguei pensando, como seria minha vida, se não tivesse tomado certas decisões. O pequeno ato de dizer ou não aquilo, de escolher não ir a tal encontro, por que aquele dia não me sentira bem.
Longe desse papo de destino e paranormalidades, vivenciamos isto o tempo todo, é real, está lá.
As escolhas parecem tomar vida própria no momento da decisão em si. No entanto não nos damos conta, talvez depois, às vezes nunca.
Certa vez ouvi uma citação, foi de alguém, numa música, um autor, não me lembro. Mas dizia o seguinte: “As escolhas nos levam a lugares diferentes dos caminhos que imaginamos traçar”. Parece ser bem clichê dizer que as coisas não acontecem por acaso, mesmo que você tente força-lá. Mas certamente é algo a refletir.

 

~Eduardo Quintanilha

Xicara-Chocolate-Quente

Dilema

 

 

 

Dormia inquietante, seus olhos não paravam, mesmo de pálpebras cerradas. Sonhava que era um pássaro, vez que era perseguido.
Acordava num relance, olhava o relógio, as horas não corriam. Tentava sem sucesso retornar ao sonho, mal lembrava qual era. Vivia neste dilema, era seu, por direito.
Levantara aturdido, ainda era escuro. Fez um chocolate quente e bebericava sentado á mesa. Sua mãe sempre lhe dissera que um bom chocolate quente trazia de volta o sono.
Atônito, pensava por que era daquele jeito. Não queria viver assim, queria ser normal. Mas o que é ser normal?
Refletia logo após. Trabalhar dia pós dia, descansar uma fração de tempo e mal se recompor? O que o tornaria normal? Era de fato curioso. Ser alto, magro, obeso ou baixo? Negro, pardo, branco ou amarelo? Por que não azul? Todos são de extrema diferença. A anormalidade faz parte do ser.
Refletira um bocado, já em sua cama.
Adormeceu finalmente. O sol já sorria por sobre a copa das árvores. Seu sono era calmo e puro. Seu dilema agora mudara.

 

 

 

~Eduardo Quintanilha

 

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