Fez-se mar

  A chuva caia fina lá fora. O silêncio era absoluto naquela madrugada.
Os pensamentos vieram como uma enxurrada. Talvez fosse só uma fina corrente de água, mas o silêncio costuma tornar tudo mais intenso. – Ele prega peças na mente.
O dia tinha sido difícil. – O término de uma relação nunca é uma coisa fácil, afinal.
Pensava, se talvez tivesse feito a coisa certa. De qualquer forma, o que poderia ter sido feito? Ele não sabia.
  Ela chegou de repente, sem tempo para conversas. Disse-lhe que a relação já não era mais a mesma. Ele, sem acreditar, ainda tentou convencê-la do contrário. Mas não. Estava decidida. Característica essa que ele admirava nela. – Não naquele momento.
Seu rosto queimava. Suas mãos suavam frio. Eram sinais do seu corpo de que alguma coisa estava machucando-o. – E não estava, realmente? O pior machucado é aquele que remédio algum pode curar. Talvez o tempo cicatrize, mas isso é o máximo que pode acontecer.
  Ela, pelo contrário, estava ciente do que fazia. Resoluta.
Suas palavras saiam feito facas de sua boca. Cortavam o ar e destruíam os tímpanos do rapaz.
Ele, já sem nada por fazer, disse por fim: “Eu não posso te obrigar a ficar comigo. Mesmo que eu queira muito, meu bem. O fato, é que eu te amo, estando ou não contigo. E quero te ver feliz. – Sua respiração estava alta. – Se vais ficar feliz longe de mim, ficarei bem.”
Os olhos dela brilharam. Como quando a primeira lágrima ameaça verter do canto do olho. Mas conteve-se. Estava decidida, afinal.
Ele sorriu, e se foi.
  De fato, pensar sobre aquilo tudo no silêncio da noite era uma coisa difícil. Quase impossível. Mas os pensamentos vêm e também se vão. Feito as ondas de um mar de sentimentos. Você só precisa tomar fôlego entre uma onda e outra, e aguentar firme.
No seu mais profundo íntimo, queria tê-la ali. Seus braços era o lugar onde deveria estar. Mas sabia. Não poderia mais acariciar seus cabelos.
O amor, é um sentimento sólido. Muitas vezes, sacrifícios devem ser feitos. – Pensou consigo.
  Ela estava feliz. Ele, – como dito – ficaria bem. A felicidade dela o confortava. A distância, jamais.
Sorriu para o silêncio do quarto. Como quem debocha de si mesmo. Aquela seria uma longa noite.

                                         
                                                        – E.Q

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Sobre Eduardo Quintanilha

21 anos, Analista de Suporte. Estuda Análise e Desenvolvimento de Sistemas na Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Skatista entre uma prova e outra, e escritor nas horas vagas. Decidiu criar o blog para publicar seus textos escritos à base de muito café e olheiras. Almeja ser reconhecido pelos seus textos e poemas, ou que alguém goste de seus textos.

Uma resposta »

  1. Parece que foi longa. E foi noite.

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