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Cansado

Sou apaixonado sim.
Escrevo meus sentimentos
O dia todo.
Por todos os lados.
Espalho pra todo canto.
Para que talvez,
Surja um encanto,
Que traga paz ao
Meu poeta cansado.
Que escreve até deitado.

É tanta poesia,
Que não cabe em mim.

                                            – E.Q.

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Navios

Vento
pras velas.
Que levam
o casco.
Que lavam
o asco.
Que trazem
o navio
de um lado
do mundo,
pra perto de
tudo.

Pro nosso
amor,
eu peço
coragem.
Pra enfrentar
a maldade.
Do vento
que vem
de longe.
Do outro lado
do mundo.
Pra esfriar
o coração,
e deixar
meu eu
e
meu você
mudo.

                                    ~ E.Q.

Auto afirmação

Amante da madrugada.
Influenciado pela paixão.
De dia é cerebelo.
De noite, só coração.

Escreve, porque precisa.
Precisa, porque escreve.
Desmancha cada verso,
E quando remonta, percebe.

Sua vida é a poesia.
Há quem não entenda,
Ou se negue.
Como uma flor,
Que se queira manter bela.
É necessário
Que se regue.

                                           – E.Q.

Maldito seja. Maldito é.

A maldição de escrever,
Que insiste em me assombrar.
Escrevo porque preciso.
Não para “me mostrar”.

A caneta se torna uma extensão
Do meu corpo.
Palavras fluem como um rio,
Vêm da base, até o topo.

Não existem regras por aqui.
Newton deveria estudar os poetas.
Pois a gravidade,
Não faz nem cócegas
Nos meus versos.

– E.Q

Fez-se mar

  A chuva caia fina lá fora. O silêncio era absoluto naquela madrugada.
Os pensamentos vieram como uma enxurrada. Talvez fosse só uma fina corrente de água, mas o silêncio costuma tornar tudo mais intenso. – Ele prega peças na mente.
O dia tinha sido difícil. – O término de uma relação nunca é uma coisa fácil, afinal.
Pensava, se talvez tivesse feito a coisa certa. De qualquer forma, o que poderia ter sido feito? Ele não sabia.
  Ela chegou de repente, sem tempo para conversas. Disse-lhe que a relação já não era mais a mesma. Ele, sem acreditar, ainda tentou convencê-la do contrário. Mas não. Estava decidida. Característica essa que ele admirava nela. – Não naquele momento.
Seu rosto queimava. Suas mãos suavam frio. Eram sinais do seu corpo de que alguma coisa estava machucando-o. – E não estava, realmente? O pior machucado é aquele que remédio algum pode curar. Talvez o tempo cicatrize, mas isso é o máximo que pode acontecer.
  Ela, pelo contrário, estava ciente do que fazia. Resoluta.
Suas palavras saiam feito facas de sua boca. Cortavam o ar e destruíam os tímpanos do rapaz.
Ele, já sem nada por fazer, disse por fim: “Eu não posso te obrigar a ficar comigo. Mesmo que eu queira muito, meu bem. O fato, é que eu te amo, estando ou não contigo. E quero te ver feliz. – Sua respiração estava alta. – Se vais ficar feliz longe de mim, ficarei bem.”
Os olhos dela brilharam. Como quando a primeira lágrima ameaça verter do canto do olho. Mas conteve-se. Estava decidida, afinal.
Ele sorriu, e se foi.
  De fato, pensar sobre aquilo tudo no silêncio da noite era uma coisa difícil. Quase impossível. Mas os pensamentos vêm e também se vão. Feito as ondas de um mar de sentimentos. Você só precisa tomar fôlego entre uma onda e outra, e aguentar firme.
No seu mais profundo íntimo, queria tê-la ali. Seus braços era o lugar onde deveria estar. Mas sabia. Não poderia mais acariciar seus cabelos.
O amor, é um sentimento sólido. Muitas vezes, sacrifícios devem ser feitos. – Pensou consigo.
  Ela estava feliz. Ele, – como dito – ficaria bem. A felicidade dela o confortava. A distância, jamais.
Sorriu para o silêncio do quarto. Como quem debocha de si mesmo. Aquela seria uma longa noite.

                                         
                                                        – E.Q

Orgulho

Olhe-me nos olhos
E diga, sem vacilar.
Diga, que não sou
O que você queria.
Olhe nesses olhos
Que tanto te
Observaram dormir.
E diga, sem hesitar,
Que tudo não passou de
Um ledo engano.

Quero ouvir
De teus lábios.
Esses que tanto
Umedeceram os meus
Que tudo
Sempre fora
Nada menos
Do que
Nada.
                                                 – E.Q